domrs
May 19th 1953  (Age 56)
Male
Porto Alegre
Falo sobre tudo, mas quando quero falar sobre mim minha voz se cala". A citação é minha tanto quanto essa dificuldade de contar quem eu sou.

Não vou criar um perfil, mesmo porque o meu melhor lado não é nenhum dos lados, é a frente. Quando olho o espelho não dou aquela virada de lado, aquele olhar de soslaio revela um eu que não gosto.

Nasci em Porto Alegre num mês de maio, o que me fez de uma só tacada um gaúcho e um taurino. Não tenho orgulho demasiado de nenhuma das duas definições, sou antes um brasileiro orgulhoso, mas que sofre com tantos graves problemas da Pátria, e um descrente nessas coisas dos signos.

O ano, 1953, revela um homem maduro na idade e, ao contrário de toda a lógica, menos maduro no espírito, fui uma criança como todas, um jovem sizudo, hoje sou um homem com menos autocrítica e com um "laissez faire" que posso dizer que me agrada. O dia, 19, só foi importante para meus pais, marcou o nascimento do segundo filho de uma família que ainda cresceria até atingir o número sete, um ímpar que somou ao mundo três homens e quatro mulheres.

Fui uma criança comum, com todos os sonhos anormais das crianças normais, fui um jovem cheio de problemas prá mim, mas fui o sonho de todos os pais, estudioso, responsável demais. Resolvi trabalhar para poder ser um engenheiro mecânico, do trabalho nasceu um policial que cumpriu o seu papel, formou o engenheiro, mas que também tomou o lugar do futuro profissional.

Em 14 de julho de 1789 o povo de Paris formou as milícias que derrubaram a Bastilha, símbolo da opressão popular, exatamente 180 anos depois a milícia de uma pessoa só acabou com a minha vida de solteiro, capitulei por uma Rosa, na aparência e no nome, no dia 14 de julho de 1978.

Ao contrário de Brás Cubas, que não teve filhos, não transmitiu o seu legado, transmiti o legado dos Souza para dois filhos, um casal, para manter a igualdade entre homens e mulheres neste mundo, Aline e Lucas.

Há alguns anos resolvi escrever, no meu pensar "sei que me faltam qualidades, mas a língua não sofrerá demasiado com estas minhas poucas palavras". E em poucas palavras essa é a história da minha vida, ou pelo menos os fatos mais importantes dela. O resto é recheado desses fatos comuns do cotidiano, erros e acertos, se tenho poucas glórias que me sirvam de orgulho, tenho o orgulho de não ter nenhum erro tão grave do qual deva me envergonhar.

Das coisas que gosto, que podem ajudar a formar esse todo que eu sou, destaco a leitura, o cinema e escrever, das que desgosto nem vale a pena comentar.

Esse é o Ronaldo e, como na época um nome era pouco, foi acrescido um Renato. Meu pai é um Souza assim como a minha mãe, o resultado foi um Ronaldo Renato de Souza. Do lado paterno herdei a origem portuguesa e o gosto pelas letras, do lado materno a origem italiana e o gosto pelas artes. Ao final posso dizer que não sou bom nem mau, nem melhor ou pior, sou o que sou, e este ser que eu sou me basta para ser feliz no universo.



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Tuesday, September 05, 2006
De mala e cuia...

Queria que fosse tão simples ou simples assim: quando não se gostasse de como as coisas acontecem no país, pegaria-se a nossa "mala e a cuia" e botaríamos o pé na estrada. Mas não é! Existem os laços familiares, e do nacionalismo. Acho difícil encontrar pessoas que não nutram o amor pela pátria; "tenha ela ou não palmeiras onde cantem sabiás".

Por isso é difícil pegar os mijados e abrir barba; isso é deixar para trás muita gente, muita saudade e muita história. Mas uma coisa eu digo; muitas vezes dá uma vontade danada, mesmo sabendo de todos os sofrimentos, mesmo sabendo da saudade...


Posted at 08:23 pm by domrs
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Friday, July 21, 2006
Das renúncias

O quão fácil é renunciar ou optar? Renuncia-se a bens, renuncia-se a compromissos que envolvem outros, que envolvem a felicidade alheia. Somos responsáveis pela nossa felicidade e também responsáveis pela felicidade alheia. É impossível querer dizer que nossas escolhas não influenciam os outros.

Se "sou eu e a minha circunstância", como disse o grande filosófo Ortega y Gasset, esse "ser" que sou e posso ou não modificar, essa circunstância que também pode  ser alterada, modificará o "ser" e a circunstância de outros seres.

Sempre fui assim. Muito preocupado com todos os meus atos e suas conseqüências; alguns dizem que isso é próprio do ser responsável, outros desqualificam a atitude, dizem que é pura covardia. A verdade é que as opiniões se dividem de acordo com as conveniências, de acordo com o momento.

Nunca consegui atingir esse "viver por viver", ou o famoso foda-se. Mas cada um com seu cada um...


Posted at 02:17 pm by domrs
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Saturday, July 15, 2006
Limites

Volto ao jogo final da Copa do Mundo de 2006, ao lance polêmico que resultou na expulsão de Zizou, o craque da copa de 2006, Zinedine Zidane, que saiu do torneio como herói e vilão a um só tempo.

O lance foi mostrado em todos os seus ângulos, sobressaiu-se, pela quantidade de câmeras o aspecto visual do incidente que registrou a reação violenta de Zizou ao cabecear violentamente o peito do atleta italiano Materazzi.

Só foi possível registrar a reação, a ação sonora passou sem que ninguém, salvo os protagonistas, percebesse, o atleta italiano dirigindo repetidos impropérios ofensivos ao craque francês com a intenção de provocar a ocorrência daquilo que acabou efetivamente ocorrendo. Ou seja, a reação de Zizou foi o sinal de que a provocação de Materazzi havia sido exitosa.

A queda de Materazzi, o esgar no rosto, o grito de dor, tudo isso fez parte da teatralização do ato final da peça pregada pelo italiano.

A opinião generalizada é a de que Zidane não deveria ter reagido; alguns chegam a admitir e louvar a atitude do atleta italiano: "provocar faz parte do jogo", dizem. Não me incluo nessa maioria, sou um sonhador, e sei muito bem disso.

Não faz mal, fico com minhas convicções, gosto do fairplay, não acho que os fins justifiquem os meios, e não me importa ganhar a qualquer custo. Nem que o prêmio seja um título de campeão mundial.

Posted at 11:54 am by domrs
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Saturday, June 24, 2006
Pobres Organizados

Sempre fui adepto da organização, em tudo, na vida, com as minhas coisas, sempre empreguei a máxima “cada coisa tem o seu lugar e cada lugar a sua coisa”. Ter uma pessoa dessas por perto serve para duas coisas: 1. criticar a organização de quem é organizado; “cara, você é muito chato com essa sua mania de organização!”. 2. ter a disposição, sempre a mão, as coisas do organizado, usando e não colocando no lugar, é claro!

Se você é do primeiro time, dos organizados, terá o lugar para coisas tão diferentes e úteis como o cortador e a tesoura de unhas, a certidão de nascimento da família, os comprovantes da última eleição, a chave de fenda, o alicate. E sempre colocará as chaves da casa no chaveiro. As roupas sujas no cesto apropriado, fechará o tubo da pasta de dente, etc.

Se você for do segundo time, o dos utilizadores, pegará o alicate de unhas, usará e deixará em cima do sofá da sala junto com o resto das suas unhas, pegará as chaves da casa e colocará no cesto de roupas sujas do banheiro, e as roupas sujas no chão do banheiro.

É engraçado, admito, mas não é uma vida fácil para quem é organizado. Sempre tendo que reparar e tentar organizar a desorganização dos outros. E sendo criticado por isso como prêmio.


Posted at 10:42 am by domrs
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Wednesday, June 21, 2006
No Limite

Desculpem-me os que pensam diferente, respeito as opiniões divergentes, mas o meu nacionalismo tem um limite, que não ultrapasso, nem me deixo envolver por essa corrente que tenta levar para limites que eu chamo de "descerebrados". Torço pelo meu país na copa, mas com a sua devida dimensão: é um jogo somente, uma taça de futebol, nada mais. Não nos fará mais fortes, mais bravos, mais brasileiros, mais cidadãos, nada mais coisa nenhuma.

Ao contrário, de certa forma nos fará menos, menos atentos às coisas realmente importantes, menos atentos aos acontecimentos que realmente importam. Por isso que a minha torcida pela dita seleção tem limites. Não que a seleção não traga benefícios, sei que muitos ganham dinheiro com isso, de jogadores a fabricantes de camisetas, brindes, etc. Tudo bem, cada um com seu negócio, mas não é o meu caso, não ganho, nem perco nada com a seleção.

Assim, deixarei que vá passando o tempo e os jogos se sucedendo; se ganharmos, muito bem, ótimo! Caso contrário, quer saber? Ótimo também!


Posted at 04:30 am by domrs
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Monday, June 19, 2006
Moda??? Que moda???

Como falar em moda para quem se esforça para sobreviver? Moda??? Que moda??? Quem dera conseguir se proteger das intempéries, do mau tempo, ter uma roupa e uns sapatos limpos e secos para vestir. Como falar em moda? Como ouvir alguém dizer que você não pode usar tal coisa porque está fora de moda?

Isso faz algum sentido? Não use essas calças porque a cor está fora de moda??? Isso chega a soar ofensivo nessas nossas sociedades consumistas, nessas nossas sociedades com rendas mal distribuídas, nessas sociedades onde uma grande massa luta para sobreviver. Moda??? Que moda???


Posted at 10:59 pm by domrs
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Monday, June 05, 2006
Não poetizo o teu viver

Cada um sabe de si / A viver o momento / Pra tirar o sustento / Da forma que pode!

Estava vendo uma apresentadora de televisão falando em "acordar para a verdadeira inclinação", bonito discurso. Bonito discurso numa sociedade em que você arrumar um emprego já é considerado uma verdadeira dádiva.

Numa situação dessas alguém pode abrir mão do emprego porque ele não corresponde a sua "verdadeira inclinação"? A propósito disso que eu lanço o refrão que começa esse texto: "cada um sabe de si..."

Posted at 12:59 pm by domrs
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Thursday, May 25, 2006
Seja você

Seja você meu pedaço de alegria, uma constante harmonia, manhã de sol, noite de luar, seja você tudo o que de bom há, um suave canto, que com teus encantos torna tudo nessa vida melhor. Seja, mais do que tudo isso, seja você mesma, o meu pequeno pirilampo, que com sua luz própria anima a tudo e todos, contentamento e amor em flor, seja doce meu amor.

Posted at 02:07 pm by domrs
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Tuesday, May 16, 2006
Interessante dizer do Delegado...

O Delegado do Deic de São Paulo, em entrevista a imprensa dizia não acreditar na continuidade do movimento de ataques às unidades policiais paulistanas promovidas pelo pcc, "porque a organização estava perdendo muito dinheiro".

Na lógica do Delegado, cada dia que os marginais se voltavam para atacar a polícia, deixavam de exercer as suas atividades habituais, isto é, assaltar, roubar, achacar a população. E, na medida em que eles voltassem a atacar a população, acabariam os ataques orquestrados aos órgãos de segurança.

Interessante essa perspectiva do Diretor do Deic paulistano, não tinha pensado dessa maneira. Uma interessante lógica essa a do Delegado, uma lógica, como eu diria, são mateusiana, que prega "antes os teus dos que os meus", ou qualquer coisa desse tipo.

Somente no Brasil você é capaz de ouvir uma entrevista nesse teor, onde as pessoas sem sentirem dizem as maiores barbaridades. Isso é Brasil... sil... sil!

Posted at 01:33 pm by domrs
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Friday, May 05, 2006
Brincar com coisas sérias

Eu me admiro a petulância dessa gente, como é que se pode conceber que alguém, completamente despreparado, intelectualmente sem a menor condição, se arvore a condição de presidente da república de um país. A questão eleitoral, ou seja, se alguém que se arvora acaba sendo eleito, não significa, não quer dizer, que este alguém seja, de uma hora para a outra abençoado com um condão mágico que lhe supra todas as deficiências intelectuais.

E assim esse alguém passa a conduzir o destino de milhões de pessoas, de gente competente, gente inteligente, só porque se achou no direito, se arvorou a isso. Seria esperar demais, de gente com essa deficiência intelectual, que tivesse a humildade de reconhecer a sua incapacidade, para isso são necessárias algumas luzes mínimas que essa gente não tem.

A própria representatividade do sistema eleitoral que elege gente desse quilate pode até ser discutida, e quando se discute a capacidade intelectual desse colégio eleitoral, o que se quer dizer é que tem que haver um parâmetro mínimo que habilite alguém a ser um eleitor, ou seja, esse alguém, ao menos, tem que saber o que está fazendo numa cabine eleitoral.

Eu tenho dito que tudo isso me parece um pesadêlo, do qual uma hora ou outra nos acabaremos por despertar. Espero que despertemos a tempo!

Posted at 07:37 pm by domrs
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